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As palavras não conseguem mais formar frases legíveis. Elas andam perdidas entre o espaço lápis-papel. E este espaço tem sido cada vez maior. Neste espaço tem cabido cada vez mais palavras soltas e sem sentido. Além de sentimentos sem nome, pensamentos sem nexo, ou qualquer tipo de lógica. É um espaço que tem crescido cada vez mais. Vazio. Sobrevivendo através de lacunas deixadas por escritos antigos. Seria melhor pensar nas palavras com a razão. Mas o que é que a razão tem a dizer? Nem ela sabe. Seria então a solução para o mundo das palavras, pensar com o coração? Creio que não. Pensar somente com o coração tem provocado dores tão intensas que estas tais palavras também não conseguem nomear. Qual seria então a solução, para que as palavras voltem a fazer sentido, para que o coração volte a pensar junto com a razão, para que as palavras voltem a ser harmoniosas dentro das frases perfeitas que sempre formavam? Para essa pergunta sim, as letras sabem formar. Elas já formam sem precisar pensar muito. Apenas uma palavra. Mas é melhor deixar assim, subentendido.
Por: Thaís *26/07/08*
[Madrugada. Ouvindo Pato Fu]
Escrito por Thaís Carvalho às 00:05:33
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Escrever para que? Para aliviar uma dor que você não consegue aliviar sozinho? Para poder sonhar com aquilo que você nunca conseguirá realizar? Escrever para que? Para dar asas a um tipo de imaginação que você tem vergonha de manifestar socialmente? Para poder sentir sem pudor, qualquer tipo de emoção ou sentimento? Escrever para que? Para dizer a si mesmo aquilo que você gostaria de dizer para outra pessoa? Para inventar diálogos que nunca acontecerão? Escrever para que? Para acumular recordações de tempos que já se foram? Para tentar mudar a opinião alheia? Escrever sim... para libertar, para salvar e se perder! Porque no mundo das letras e das palavras não há quem não possa ser o que quiser... e é isso que torna o conjunto palavra - papel algo tão fascinante!! Sou rei, sou escravo, sou plebeu. Sou a criança que sorri, o adulto desesperado, o idoso tranquilo. Sou a estrela que mais brilha, a lágrima que comove, a mão que bate e ao mesmo tempo acalma a cor. Sou a água que mata a sede, o brilho do olhar, o mendigo que pede esmola. Sou a lua em todas as fases, a chuva que arrasa e destrói. Sou a fome de quem a tem, a escuridão de quem não vê, o sapato que aperta o pé. Sou a musa do carnaval, a escritora famosa, a dona do mundo... Sou tudo e ao mesmo tempo não sou nada... pois quem escreve só quer ser si mesmo, sem vícios, sem estratégias, sem personagens. Bem lá no fundo, quem escreve só quer transmitir para o papel o que diz o coração, mesmo que machuque, provoque dor, ou traga felicidade. Bem lá no fundo, quem escreve só quer a sua singularidade...
Por: Thaís *22/07/08*
[Niver da Tia Mírian]
Escrito por Thaís Carvalho às 09:19:51
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"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre, à margem de nós mesmos."
(Fernando Pessoa)
-* Porque eu voltei, agora para ficar *-
[Segunda-feira. Pensativa.]
Escrito por Thaís Carvalho às 18:37:53
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